Calcular o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) pode parecer complicado, principalmente porque a tabela progressiva possui diferentes faixas de tributação. Entretanto, quando entendemos como funciona o cálculo, fica muito mais fácil conferir os valores descontados do salário e compreender como se chega ao imposto devido.
Neste artigo, vamos demonstrar como calcular o IRPF por faixas, considerando as deduções permitidas, a contribuição ao INSS e a redução do imposto vigente em 2026.
1. O que significa calcular o IRPF por faixas?
O Imposto de Renda utiliza uma tabela progressiva. Isso significa que a base de cálculo é dividida em faixas, cada uma com uma alíquota específica.
Atenção: não é correto aplicar a alíquota da última faixa sobre todo o salário. Cada percentual incide somente sobre a parcela da base de cálculo correspondente àquela faixa.
A tabela progressiva mensal utilizada em 2026 é a seguinte:
| Base de cálculo mensal | Alíquota | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 2.428,80 | 0% | R$ 0,00 |
| De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65 | 7,5% | R$ 182,16 |
| De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 | 15% | R$ 394,16 |
| De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 | 22,5% | R$ 675,49 |
| Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% | R$ 908,73 |
Fonte: Receita Federal do Brasil. Tabela mensal aplicável em 2026.
2. Antes de calcular o IRPF, precisamos encontrar a base de cálculo
O cálculo não começa simplesmente pela aplicação da alíquota sobre o salário bruto. Primeiro, é necessário verificar quais deduções podem ser utilizadas.
Entre as deduções legais que podem ser aplicáveis estão:
Contribuição ao INSS: contribuição previdenciária oficial do trabalhador.
Dependentes: dedução mensal de R$ 189,59 por dependente, observados os requisitos legais.
Pensão alimentícia: quando atendidas as condições legais, como a existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, conforme o caso.
Também existe o desconto simplificado mensal de R$ 607,20, que substitui as deduções legais. Deve-se comparar as alternativas e utilizar a mais vantajosa, respeitando as regras aplicáveis.
Portanto, a base de cálculo será determinada pela seguinte fórmula:
Base de cálculo = rendimentos tributáveis − dedução adotada
3. Exemplo prático: salário de R$ 6.000,00
Para demonstrar o procedimento, vamos utilizar os mesmos valores da planilha de simulação.
Considere um trabalhador com:
Salário bruto mensal: R$ 6.000,00;
Dois dependentes;
Pensão alimentícia mensal: R$ 1.621,00;
Contribuição ao INSS calculada conforme as faixas de 2026.
Etapa 1 — Calcular o INSS por faixas
A contribuição previdenciária do empregado é progressiva. Cada parcela do salário é tributada pela alíquota correspondente.
| Faixa salarial | Parcela considerada | Alíquota | INSS calculado |
|---|---|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | R$ 1.621,00 | 7,5% | R$ 121,58* |
| De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 | R$ 1.281,84 | 9% | R$ 115,37* |
| De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 | R$ 1.451,43 | 12% | R$ 174,17* |
| De R$ 4.354,28 a R$ 6.000,00 | R$ 1.645,73 | 14% | R$ 230,40* |
| Total | R$ 6.000,00 | — | R$ 641,51 |
Os valores por faixa estão apresentados arredondados para centavos. O total de R$ 641,51 corresponde à soma dos valores não arredondados de cada faixa, seguida do arredondamento final.
Observe que não aplicamos 14% sobre todo o salário. Cada percentual incide somente sobre a parcela correspondente da remuneração.
Etapa 2 — Calcular as deduções legais
Agora, vamos identificar as deduções que serão utilizadas para encontrar a base de cálculo do IRPF.
| Descrição | Valor |
|---|---|
| INSS | R$ 641,51 |
| Dois dependentes: 2 × R$ 189,59 | R$ 379,18 |
| Pensão alimentícia | R$ 1.621,00 |
| Total das deduções legais | R$ 2.641,69 |
Nesse exemplo, as deduções legais totalizam R$ 2.641,69, valor superior ao desconto simplificado mensal de R$ 607,20.
Assim, considerando que as deduções informadas atendam aos requisitos legais, utilizaremos as deduções legais.
Etapa 3 — Encontrar a base de cálculo do IRPF
Subtraímos do salário bruto o total das deduções adotadas:
R$ 6.000,00 − R$ 2.641,69 = R$ 3.358,31
Esse é o valor sobre o qual aplicaremos a tabela progressiva mensal do IRPF.
4. Como calcular o imposto faixa por faixa?
A base de cálculo encontrada foi de R$ 3.358,31. Portanto, ela ocupa integralmente as duas primeiras faixas e parcialmente a terceira.
Primeira faixa — alíquota de 0%
A primeira faixa vai até R$ 2.428,80.
Cálculo:
R$ 2.428,80 × 0% = R$ 0,00
Não há imposto nessa parcela.
Segunda faixa — alíquota de 7,5%
A segunda faixa vai de R$ 2.428,80 até R$ 2.826,65.
Primeiro, calculamos a parcela que pertence à faixa:
R$ 2.826,65 − R$ 2.428,80 = R$ 397,85
Depois, aplicamos a alíquota:
R$ 397,85 × 7,5% = R$ 29,84
Terceira faixa — alíquota de 15%
A base de cálculo é de R$ 3.358,31. Como ela ultrapassa R$ 2.826,65, a parcela que pertence à terceira faixa será:
R$ 3.358,31 − R$ 2.826,65 = R$ 531,66
Aplicando a alíquota:
R$ 531,66 × 15% = R$ 79,75
Quarta e quinta faixas
A base de cálculo não ultrapassa R$ 3.751,05. Portanto, não existe parcela tributável nas faixas de 22,5% e 27,5%.
O resultado da tabela progressiva normal será:
| Faixa | Imposto |
|---|---|
| Primeira faixa | R$ 0,00 |
| Segunda faixa | R$ 29,84 |
| Terceira faixa | R$ 79,75 |
| Quarta faixa | R$ 0,00 |
| Quinta faixa | R$ 0,00 |
| Imposto antes da redução de 2026 | R$ 109,59 |
Somando os valores, encontramos R$ 109,59 de imposto antes da aplicação da redução prevista na legislação de 2026.
5. Como aplicar a redução do IRPF em 2026?
A Lei nº 15.270/2025 instituiu uma redução do imposto a partir de janeiro de 2026.
De acordo com as regras mensais:
Rendimentos tributáveis de até R$ 5.000,00: a redução pode zerar o imposto devido.
Rendimentos de R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00: a redução é calculada por uma fórmula legal.
Rendimentos acima de R$ 7.350,00: não há essa redução mensal.
Para rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, utiliza-se a fórmula:
Redução = R$ 978,62 − (0,133145 × rendimento tributável mensal)
No nosso exemplo, o rendimento tributável mensal é de R$ 6.000,00.
Aplicando a fórmula:
R$ 978,62 − (0,133145 × R$ 6.000,00)
R$ 978,62 − R$ 798,87 = R$ 179,75
Entretanto, existe uma regra fundamental: a redução não pode ser superior ao imposto apurado pela tabela progressiva normal.
Como o imposto calculado foi de R$ 109,59, embora a redução calculada seja de R$ 179,75, só podemos utilizar R$ 109,59.
Portanto:
R$ 109,59 − R$ 109,59 = R$ 0,00 de IRPF devido
Nesse exemplo, o imposto mensal fica zerado.
6. Qual é o resultado final do cálculo?
Consolidando os valores utilizados na simulação:
| Descrição | Valor |
|---|---|
| Salário bruto | R$ 6.000,00 |
| (-) INSS | R$ 641,51 |
| (-) Pensão alimentícia | R$ 1.621,00 |
| (-) IRPF após a redução | R$ 0,00 |
| Salário líquido estimado | R$ 3.737,49 |
O valor líquido apresentado não considera outros descontos que possam existir na folha de pagamento, como vale-transporte, plano de saúde e demais descontos autorizados ou obrigatórios.
O exemplo também pressupõe que as deduções informadas sejam legalmente admitidas e que não existam outros rendimentos ou circunstâncias que alterem a apuração.
7. Existe uma maneira mais rápida de calcular o IRPF?
Sim. Depois de determinar corretamente a base de cálculo, é possível utilizar a fórmula da parcela a deduzir.
A fórmula geral é:
IRPF antes da redução = base de cálculo × alíquota da faixa − parcela a deduzir
No exemplo, a base de cálculo de R$ 3.358,31 está na terceira faixa, cuja alíquota é de 15% e cuja parcela a deduzir é de R$ 394,16.
Aplicando a fórmula:
R$ 3.358,31 × 15% − R$ 394,16
R$ 503,75 − R$ 394,16 = R$ 109,59
Chegamos ao mesmo resultado obtido pela soma dos impostos calculados faixa por faixa.
Esse método é mais rápido, mas compreender o cálculo detalhado por faixas ajuda a identificar erros, conferir os valores e entender como a tributação progressiva funciona.
Conclusão
O cálculo do IRPF exige atenção a três etapas principais: determinar a base de cálculo após as deduções permitidas, aplicar a tabela progressiva e verificar se existe redução do imposto aplicável ao rendimento mensal.
A principal regra a lembrar é que a alíquota de cada faixa incide apenas sobre a parcela correspondente da base de cálculo. A alíquota nominal da última faixa não deve ser aplicada indistintamente sobre todo o salário.
Em 2026, também é indispensável observar a redução prevista na Lei nº 15.270/2025, pois ela pode diminuir ou até zerar o imposto calculado pela tabela progressiva normal.
Fontes oficiais para consulta:
Receita Federal — Tabelas de tributação de 2026.
Receita Federal — Exemplos de aplicação da Lei nº 15.270/2025.
Legislação — Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025.
Observação: este artigo apresenta uma simulação mensal de imposto sobre a renda retido na fonte. O cálculo definitivo do IRPF na declaração anual pode apresentar resultados diferentes, conforme os rendimentos, as deduções e as demais regras aplicáveis ao contribuinte.
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